ARTISTAS DE RESENDE E ITATIAIA COBRAM AUXÍLIO EMERGENCIAL OU LIBERAÇÃO PARA TRABALHAR
Artistas da
região se mobilizaram este fim de semana numa espécie de grito de socorro. Com
cartazes nas mãos, foram para uma das esquinas mais movimentadas da Colônia Finlandesa
de Penedo, em Itatiaia, e para o calçadão do bairro Campos Elísios, em Resende, para
sensibilizar a população e ganhar apoio às reivindicações. Em cada frase
estampada, o sofrimento de uma classe inteira que está proibida de trabalhar e passa
por sérias dificuldades.
Os decretos
municipais de março, quando o Estado do Rio entrou na bandeira roxa (estado
grave), proibiram as atividades artísticas em Resende e Itatiaia. E, apesar da
região do Vale do Paraíba já ter voltado à bandeira laranja (estado moderado), as
prefeituras dessas cidades mantiveram a proibição das apresentações artísticas
até 14 de maio.
São praticamente
dois meses sem o "ganha-pão", diz o músico Wilsinho Ramalho, uma das lideranças
do Movimento Mantiqueira Mar, que reúne mais de 150 artistas da região. Ele deixa
claro que sabe da necessidade de haver distanciamento social nessa fase tão
crítica que vivemos na pandemia, e que alguns eventos, como shows, não podem
mesmo ser realizados. Wilsinho explica o que o Movimento reivindica: “Nós
queremos ter o direito de trabalhar como todos os outros profissionais, seguindo
protocolos de segurança contra a Covid-19, e, se não podemos ter esse direito,
que pelo menos as prefeituras possam viabilizar um auxílio emergencial, porque tem muita gente passando fome sem
trabalho.”
Wilsinho cita
o bom exemplo de algumas cidades brasileiras que deram atenção à classe artística
nessa fase tão complicada da pandemia. Imperatriz, no Maranhão, aprovou junto a Câmara
Municipal o pagamento de auxílio municipal emergencial de 400 reais. Em Mogi
das Cruzes, São Paulo, foi feito um chamamento também emergencial para
realização de uma Mostra de Arte Virtual, com pagamento pelo trabalho dos
artistas, uma forma de atender às necessidades da classe. E são muitos outros exemplos positivos que demonstram atenção à cultura
nesse momento de pico da Covid-19 no Brasil.
O Movimento
Mantiqueira Mar surgiu há pouco mais de um ano, quando o Brasil parou por causa
do coronavírus. O objetivo era unir a classe artística da região, englobando cidades
do Vale do Paraíba e descendo a serra até Angra dos Reis. Foi um ano bastante
complicado para quem trabalha no setor. Além dos artistas, há muitos
trabalhadores como técnicos de som, cenógrafos e outras funções, que ficaram sem emprego. Muitos se
reinventaram para sobreviver à crise. Wilsinho, por exemplo, buscou fonte de
renda na gastronomia. Mas há quem esteja totalmente parado e sem ter de onde tirar
dinheiro para sustentar a família.
Se não há
chance das prefeituras darem algum auxílio emergencial, o Movimento reivindica que
haja flexibilização das regras para a categoria. Hoje existem cerca de
quinhentos artistas cadastrados nas duas cidades da região das Agulhas
Negras. 70%, segundo Wilsinho Ramalho, são músicos que se apresentam em bares e
restaurantes. O que o grupo Mantiqueira Mar pede é que eles sejam liberados
para tocar nesses estabelecimentos. Seria uma forma de garantir, pelo menos, um
pouco de renda para sobrevivência.
Os músicos
entendem que bares e restaurantes já funcionam com restrição de público e
com algumas regras, como não poder ter pista de dança ou clientes em pé, "ou seja,
se as normas forem respeitadas não será o músico que vai provocar aglomeração
nesses locais. Bastaria os donos dos estabelecimentos fazerem o controle
adequado e a fiscalização municipal cumprir seu papel,” defende o líder do movimento. O grupo Mantiqueira Mar
procurou as prefeituras. Em Itatiaia foi recebido pela Casa de Cultura na
semana passada, que, segundo o músico, se mostrou sensível às reivindicações, mas até agora nada
foi feito. Em Resende, não houve diálogo.
Em nota, a
Prefeitura de Resende informou que, se os números da Covid se mantiverem no atual
patamar, é possível que as atividades musicais em estabelecimentos comerciais
voltem, em breve. Sobre o auxílio emergencial a Prefeitura se refere apenas aos
recursos federais da Lei Adir Blanc. Com a prorrogação da Lei no Congresso
Nacional, a Prefeitura de Resende disse
que reorganizou os editais para, assim que a lei for sancionada pela
Presidência, atender os músicos.
Já a Prefeitura
de Itatiaia informou que as restrições
do Decreto Municipal em vigor serão mantidas até 15 de maio, quando haverá um
novo decreto, de acordo com as circunstâncias do momento. Enquanto isso, trabalha
para criar alternativas de remuneração para os músicos moradores do município,
através de um festival online, em fase de organização pela Superintendência de
Eventos, da Prefeitura.
Protesto de artistas em Penedo (Fotos: Movimento Mantiqueira Mar)
Reviewed by VIVER Agulhas Negras
on
abril 26, 2021
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