UM DIA "D" PARA CLAUDIONOR ROSA

 Por Luis Ferrão

Não sei se por ironia, mas a reabertura da casa onde morou Claudionor Rosa ocorreu um dia após a entrega de reconhecimento público a profissionais e artistas de Resende, aos Melhores do Ano, no Dia da Cultura (5/11). Ironia, porque Claudionor não poderia ter ficado esses dois anos pós-morte, no ostracismo da pandemia, sem uma homenagem oficial. Hoje ela veio, organizada pelos seus filhos gêmeos Luciana e Luciano Rosa e amigos, os chamados "filhos do Claudionor", devido à proximidade que viveram com o Mestre.

A casa onde Claudionor Rosa viveu, na Rua Cunha Ferreira, 107, no Centro Histórico de Resende, será transformada em Centro Cultural, desejo dele e, agora, incumbência dos filhos e amigos. Claudionor dedicou-se aos fatos "menores" da cultura resendense, ajudou a promover nossos valores intelectuais, de Chico Fortes, a Flávio e João Maia, Macedo Miranda, os índios Purís, a riqueza e o sangue dos negros jorrados nos cafezais de Resende. Claudionor “construiu” um calendário da história de Resende. Coisas Nossas & Nossa Gente foi a coluna na qual ele deu grande visibilidade aos fatos e personagens da história da cidade que escolheu para ser sua, nos tempos áureos do jornal A Lira.

 Nas últimas décadas,  Claudionor foi o realizador de dezenas daqueles eventos "raiz", como o tombamento e homenagens à Ponte Velha, o Finados Cultural, o reconhecimento da Dona Maria Benedita, filha de português com índia purí, que se tornou a Rainha do Café; eventos e fatos que engrandecem a alma dos resendenses naturais, ou que como ele, se apaixonaram pela cidade.

Já estava na hora dos amigos tomarem uma decisão, na ausência de ações de outros entes.

Angelo Tramezino, que substituiu Claudionor no Arquivo Histórico Municipal, fez um boneco gigante de papel marché; o Luis Lindão tocou em sua moderna radiola os LPs com músicas ao gosto do homenageado;  a Áquila Bernardi, levou um bolo de abacaxi dos sonhos e a fanfarra de Engenheiro Passos, tocou dobrões e retretas, tal qual fazia nos tempos de domingo, na rádio Resende. E no sábado ensolarado teve café da manhã, reabertura da casa do Claudionor e parabéns póstumo.

Lá de cima,  Claudionor  com certeza sorriu como um lagarto, posto que festas de amigos não podem ser recusadas.

E, para arrematar, os meninos de Engenheiro Passos e o saxofonista Evandro tocaram o  hino do Glorioso Botafogo, uma das paixões do nosso querido Claudionor.

Casa de Claudionor Rosa vira Centro Cultural


Luciana e Luciano Rosa, filhos de Claudionor






UM DIA "D" PARA CLAUDIONOR ROSA UM DIA "D" PARA CLAUDIONOR ROSA Reviewed by VIVER Agulhas Negras on novembro 06, 2021 Rating: 5

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